quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Vá ao Piriá, mas se ele não estiver...

A foto é do blog Juiz de Fora Online


Existe uma máxima nos parâmetros de qualidade de um boteco que diz que para saber sua qualidade devemos observar se o dono sai pra comer no boteco ao lado. Um incauto poderia se enganar ao chegar nas imediações do Bar do Piriá e vê-lo sentado na lanchonete ao lado. Mas quem frequenta o local já sabe que ele vai mesmo lá é para tomar uma cerveja.

Existem inúmeras teorias conspiratórias para explicar tal fato, que vão desde mirabolantes especulações sobre a predileção do Piriá pela cerveja A ou B, até mesmo dizem, veja só, que ele iria lá, pelo simples fato de que a cerveja da vizinha é mais gelada do que a dele. Mas nada disso explica. A verdade é que o Piriá é um dos donos de boteco de Juiz de fora que traz consigo um sentimento fundamental: o amor ao boteco. Sim, meu caro leitor, vosso interlocutor lhe revela este segredo aparentemente simples mas deveras civilizatório. O cara vai no boteco ao lado por que gosta de ir a boteco. E veja bem, trabalho é trabalho, diversão é diversão.

Nunca verás Piriá sem sua caracterização básica porém funcional e moderna. Boné, que ajuda a proteger o cocuruto, além de dar um visual mais jovem, bermuda para tornar os dias de calor mais tranquilos, camisas de times de futebol são comuns, sandálias, mas veja bem, geralmente as papetes que garantem conforto a quem vai de lá pra cá durante horas para bem servir seus clientes. Aliás, clientes não. Quem tem cliente é loja de roupa, boteco tem freguês ou amigo e amiga. Em um dos ombros este distinto senhor traz sempre seu pano de prato, que nos botecos, cabe dizer, não se restringe a um único papel. Pano de prato junto ao ombro, em boteco, é polivalente. Seca copos, limpa mesas, secar suor da testa e espanta as moscas.

Mas Piriá não trabalha sozinho. Tem ao seu lado sua querida esposa, que cometo aqui uma gafe infeliz da qual me penitencio, não saber seu nome. A senhora dele é sem dúvida a alma pensante do boteco. Ela faz funcionar a estrutura cabal deste lugarejo. Eu diria até que o Piriá é uma espécie de relações públicas do lugar.

E para quem acha que um bom boteco só faz referencia ao samba e a música popular, no Piriá você pode beber sua cerveja e ver um belo poster dos Beatles na parede, além de fotos que revelam a memória deste local.

O Piriá, devido sua localização estratégica, é por vezes utilizada por pessoas como eu, nas horas que antecedem os memoráveis derbys do Tupi Futebol Clube. Devido a proibição da venda de bebidas nos estádios, muitas vezes molhamos a garganta ali antes de ir assistir o Galo Carijó judiar de seus adversários na grama verde do Helenão, vulgo Estádio Radialista Mário Helênio.

O Piriá é um ponto tranquilo na agitada avenida Independência. Entre suas vantagens oferece mesas na caçada em um ponto de passagem.

Entre seus atrativos, um farto cardápio, mas que tem como carro chefe a incrível asinha de frango frita, que pode ser solicitada por unidade, além da cerveja gelada e de preço honesto.

Mas já sabe, se o dono do bar não estiver lá, não se preocupe, ele foi ali do lado, exercer sua paixão pelo boteco e já volta.


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9 comentários:

  1. Diz a lenda que é justamente por causa da "querida esposa" que o Piriá bebe nos outros bares. Parece que o objetivo é beber escondido dela. Não sei se procede.

    E além da asinha tem também o delicioso pimentão recheado.

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    1. Obrigada pelo carinho e lembrança do cunhado querido e amado por todos da família e amigos.
      zuleika, irmã da querida esposa.

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  2. "Dono de bar, não bebe no próprio bar".
    Piriá segue as tradições da velha-escola.

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  3. A Laura está certa, Piriá bebe nas redondezas porque assim a tia Aparecida não vê.

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  4. Um amigo disse que a esposa do Piriá é a mãe do Baudelaire. Você daí me pergunta por que. Segundo ele, o poeta francês, tinha o hábito de pintar o cabelo de verde.

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  5. Vá com Deus. Tulim e Dani.

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  6. Vá em paz meu querido! Fernanda Medeiros

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  7. Ele bebia nas redondezas como qq um de nós...e para nao aborrecer a esposa, o fato é que ele nao podia beber.... e as x tomava uns copinhos de cerva nada mais!!! Natural pra quem foi dono de botequim a vida toda não acham??? isso não é lenda e sim fato!!! A querida esposa é quem o diga !!! falar é fácil vai vivenciar !!!

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  8. Agradeço a todos que participaram e lembraram com carinho e amizade do nosso querido Piriá.

    Sua querida esposa, amada filha e querida cunhada (euzinha). Zuleika

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